domingo, 30 de dezembro de 2012

Que em 2013...

Vamos aos velhos pedidos que se perdem ao longo dos anos e se repetem em todos eles...

Desejo que em 2013 tenhamos mais esperança, e mais coragem. Espero que possamos ver mais bondade, mais amor e mais respeito, e possamos praticá-los. Que não sejamos cercados por inveja nem que a maldade esteja ao nosso redor. Que as crianças saiam das ruas, não sejam obrigadas a pedir dinheiro no sinal e que os usuários de drogas se curem. Que àqueles que estão na altura do Parque União, na Avenida Brasil, sejam salvos dessa doença que se chama vício em crack. Que não existam mais mendigos nem reviradores de latas de lixo. Que o Rio de Janeiro se torne melhor para ser visto pelo mundo em 2014 e que nossos governantes olhem para a cidade e não para o dinheiro que vão desviar para seus bolsos. Desejo que o mundo esteja mais iluminado, que nossos sonhos virem realidade e que possamos lutar para concretizá-los. Desejo, aos meus e aos outros, que 2013 traga esperança de um mundo que teve início no último 21 de dezembro. E que seja um mundo melhor, por favor. Desejo que vejamos mais sorrisos que lágrimas, mais belezas que lixos, mais amor que ódio.

Ausência

Queridos,


Como eu tenho falado na fanpage, a ausência aqui no blog tem motivos muito especiais. Talvez eu tenha deixado vocês se sentindo abandonadinhos (mas não é verdade) e eu sei que nada explicaria, mas ou tentar, tá? Em breve vocês terão um outro cantinho. O Pensamento em Mundo está se mudando e com todos os contratempos está demorando um pouquinho mais do que a gente esperava. Era para começarmos 2013 com o pé direito e casa nova. Mas vamos começar com o pé direito e muitos, muitos textos novos para vocês. É algo bem legal que está vindo por aí e assim que tudo estiver pronto, vocês serão os primeiros a saber :)

Grande beijo,


Bianca Garcia

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Ai que saudade dos meus dez anos, que saudade ingrata


Aos dez anos eu ainda me machucava e chorava. Mas fui aprendendo a ficar forte, a cair e levantar sem precisar chorar. A vovó ficava toda preocupada a cada arranhão conquistado, mas eu era uma molequinha, dessas que andam no meio dos meninos, jogam futebol, soltam pipa, apostam corrida, jogam bolinha de gude, brincam com mamonas e descem o morro, na chuva, sentada num papelão. Nessa época não tinha maquiagem para as meninas e mesmo se tivesse acho que não venceria os piques na rua. Era pique-pega, pique-esconde, pique-bandeira, pique-parede, pique de pique e polícia e ladrão. 

Aos dez anos os problemas se resumiam a contabilidade dos dias. Nessa época calcular quantos dias para as férias era o maior problema. O segundo maior era escrever uma redação sobre elas. Eu me perguntava por que faltava criatividade aos professores e me perguntava como tanta coisa para contar poderia caber naquelas linhas. Grandes problemas, não? 

Aos dez anos a fortuna que papai dava já tinha um destino. Os dez reais, que hoje não compram mais nada, eram para as bolinhas de tênis, àquelas amarelinhas que eram desperdiçadas a cada partida de taco. As bolinhas sumiam e às vezes a gente dava a sorte de encontrar quando andava no mato. Em frente ao chalé tinha um senhorzinho com um terreno cercado. Gente boa toda vida, o Seu Maninho tinha até uma vira-lata que se chamava Bolinha. Virava e mexia Bolinha tinha uns filhotes espalhados pela rua e a criançada, eu nesse meio, não dava paz para os bichinhos. Tá, mas o Seu Maninho sempre se enfiava no meio da sua hortinha para pegar nossas bolas esverdeadas, que na altura desse campeonato já estava completamente esgaçada. Não aguentava mais de duas partidas, claro que se não sumissem antes.

Aos dez anos a gente cai muitas vezes de bibicleta, patins e todas essas artimanhas que inventam para a gente. E em um desses tombos dos dez anos estava eu, novamente, e dessa vez foi um tombo daqueles. Coitada da vovó, que nesse dia não se preocupara a toa com os arranhões conquistados. Dessa vez ela teve razão para a preocupação, que não a deixava em paz quando se tratava de mim. Cai! Era machucado para tudo quanto era lado. Uma pedra entrou em um joelho, o outro com o osso à mostra, cotovelo furado e barriga marcada. Já era! Que susto! Mas esse não foi o último tombo, talvez o último de uma fase e o primeiro de uma nova. A partir daí aprendi a não chorar com machucados e a me levantar sem precisar de ninguém. E o tombo foi feio: cai de uma ladeira que era toda de terra e pedras. Já pode imaginar quanta poeira não levantou, né? Era uma névoa a minha volta e quando as pessoas chegaram eu já estava de pé. Todos se espantaram com a força. Mas até hoje consigo enganar quando sinto dores - na maioria das vezes pretendo quando elas são sobre algo que ninguém pode confirmar. No final das contas ficou tudo bem. O tombo só me fez visitar o médico duas vezes por semana e ficar de olho no joelho. Corri risco de uma cirurgia aos 10 anos. Mas passou e só precisei ficar com a perna engessada durante um mês nas férias de verão. Ah, e àquele gesso que pesava mais que minhas duas pernas juntas só me fez ficar embaixo de uma árvore esperando os amigos voltarem do clube e toparem uma brincadeira chata que exigisse imobilidade. Enquanto que calcular as férias eram os maiores problemas, ficar imóvel aos dez anos era o maior castigo. 

Aos dez anos a gente não tem quase nada. E tem muita coisa. Aos dez anos eu ainda tinha muitas coisas preciosas. Eu ainda tinha a minha vó. Àqueles olhos azuis, àquela pele clarinha e àquela doçura era certamente a mais preciosa delas. Aos dez anos a gente nem sabe o que é saudade, mas logo aprende quando perde essas "coisas". 

Ai que saudade dos meus dez anos, que saudade ingrata...

sábado, 6 de outubro de 2012

Vamos de eleição?

Votos nulo ou branco?

Eleição acontece domingo, 07, mas diferença entre os votos ainda não é clara

Bianca Garcia e Bernardo Lacombe

Próximos de mais uma eleição, a polêmica da nulidade dos votos foi levantada nas mídias sociais. O fato de que uma possível nova eleição pode acontecer caso o número de votos nulos supere cinquenta por cento circulou rapidamente entre os internautas, mas muitos eleitores desconhecem o assunto. Alguns, inclusive, têm dificuldade em distinguir voto nulo e branco.

Além da matéria ser pouco explorada, a explicação no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não facilita a compreensão dos cidadãos. De acordo com a definição que está no site do Tribunal, “votos nulos são como se não existissem: não são válidos para fim algum. Nem mesmo para determinar o quociente eleitoral da circunscrição ou, nas votações no Congresso, para se verificar a presença na Casa ou comissão do quorum requerido para validar as decisões”, esclarece o TSE.

Para os votos em branco, o Tribunal explica que são “registrados apenas para fins de estatística e não é computado como voto válido, ou seja, não vai para nenhum candidato, partido político ou coligação”. “É considerado voto em branco aquele em que o eleitor manifesta sua vontade de não votar em nenhum candidato ou partido político, apertando a tecla branco da urna”, diz o TSE.


A diferença, porém, não fica clara para a eleitora Cleuza Hipólito, que mora na região metropolitana do Rio de Janeiro. “Eu acho que é a mesma coisa. Para mim, votar nulo ou em branco dá no mesmo”, diz a empregada doméstica, de 59 anos. Ela disse ainda que caso não concorde com os candidatos, vota em quem está perdendo. “Porque se o outro já está ganhando e ele perdendo, ele não ganha mesmo”, contou Cleuza explicando sua lógica.
Apesar das classes sociais menos favorecidas serem consideradas uma parcela da sociedade com menos embasamento político, quando o assunto é voto nulo, muitos trabalhadores se expressam de maneira indignada. É o caso de José Marcelo, nordestino radicado no Rio de Janeiro há mais de 20 anos, que trabalha como porteiro em Copacabana.

“Voto pelo meu País, pelo meu município. Como vou cobrar, se eu não votar?”, diz o porteiro. Mas o desabafo continua ao criticar conterrâneos com quem convive. “Tem gente que veio do norte há mais de 15 anos e até hoje não transferiu o título. Acho um absurdo. Esse vai ter que aturar qualquer roubalheira”, concluiu José Marcelo.

Embora alguns cidadãos não saibam a diferença entre esses votos, outros propagam a polêmica de anulação da eleição caso haja mais de 50% dos votos nulos. Mas há controvérsias. Há quem diga que tudo não passa de uma má interpretação do Código Eleitoral, outros questionam o direito de protestar contra os candidatos daquela eleição.

Para o professor doutor em História, Oswaldo Munteal, este suposto protesto com os votos nulos é um ato de despolitização. “Acho uma alternativa malévola, que ressalta um déficit na consciência política do brasileiro. É um risco para a democracia e o Brasil precisa ter mais experiência democrática”, afirma Munteal. “Quem vota nulo está na mesma situação de quem não comparece”, completou.

Mais de 50% de votos nulos anula a eleição?

A suposta interpretação equivocada é em relação ao artigo 224 do Código Eleitoral da Constituição Federal, que trata a questão da nulidade dos votos. "Se a nulidade atingir a mais da metade dos votos do país nas eleições presidenciais, do Estado nas eleições federais e estaduais ou do município nas eleições municipais, julgar-se-ão prejudicadas as demais votações e o Tribunal marcará dia para nova eleição dentro do prazo de 20 (vinte) a 40 (quarenta) dias", diz o artigo.

Em uma entrevista no programa Roda Viva em agosto de 2006, o ex-presidente do TSE, Marco Aurélio Mello, disse, quando ainda estava no cargo de presidente, que há a possibilidade de anulação da eleição se mais da metade dos votos forem nulo e branco. “Nós temos uma regra que advém da Constituição Federal, que diz respeito às eleições majoritárias para os cargos de governador e presidente da República. Aí o eleito precisa alcançar 50% dos votos válidos. À parte desta regra existe uma outra, que é linear, que também repercute nas eleições proporcionais. Se os votos nulos e brancos alcançarem mais de 50%, nós temos a insubsistência do pleito”, afirmou o ex-presidente, que completou não acreditar que isso possa acontecer.

No mês seguinte, o ministro disse que o artigo é interpretado incorretamente. "A Carta manda que o eleito para presidente tenha pelo menos 50% mais um dos votos válidos. Estão excluídos desse cálculo os brancos e os nulos. Mas se, por hipótese, 60% dos votos forem brancos ou nulos, o que não acredito que vá acontecer, os 40% de votos dados aos candidatos serão os válidos. Basta a um dos candidatos obter 20% mais um desses votos para estar eleito", afirmou Marco Aurélio, em setembro de 2006, em uma entrevista para a Folha de São Paulo.

Para a Folha, o ex-presidente do TSE disse que o termo “nulidade” é um dos responsáveis pelo mau entendimento do artigo 224, e que na verdade a anulação da eleição seria decorrente de fraude, como urnas extraviadas, ausência de um juiz eleitoral e, falsificação do título de eleitor, por exemplo.

Propagandas eleitorais


Uma universitária, que não quis se identificar, disse sobre a importância do voto e ressaltou a falta de interesse do público ao assistir às propagandas eleitorais."O horário político na televisão está cada vez mais massivo com a guerra entre os candidatos. A propaganda perdeu o foco e temos circo ao invés da apresentação de projetos", diz B. A, 21 anos, que está no último ano do curso de Administração da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

Ao opinar que o voto deveria ser facultativo, a universitária diz que, apesar de ser obrigatório, os cidadãos não podem perder a oportunidade de escolher seus representantes. "Não voto nulo ou em branco nem pensar, são poucas as decisões que o povo toma quando se trata do Estado", completa a estudante afirmando que, além de buscar candidatos que se aproximem dos seus princípios, analisa o currículo dos candidatos.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Um sábio senhor

Cá estava eu sofrendo com mais finais de breves encontros. Sofro quando penso que jamais poderei ver àquele lindo senhor, ou àquela menina que sorriu para mim no último minuto de uma viagem coletiva, o pequeno dos olhos verdes com aparência fraca, a mulher do sol e do tiroos gringos deslumbrados com a beleza do Rio ou este sábio senhor. De repente tenho certeza que nada acontece por acaso de fato. Vez ou outra fico em dúvida, mas no final das contas tenho certeza de que as coincidências não existem.

Enquanto eu lia um livro e grifava as partes que deveriam ser lembradas para sempre, o senhor que estava ao meu lado ficara olhando. Intercalara o olhar, ora para frente ora para o livro. O olhei. E ele não hesitou em perguntar se estas eram as partes que eu tinha que estudar. Respondi que não, eram apenas as partes que eu considerava mais importante. Era um senhor humilde que voltava para casa depois de uma longa rotina de trabalho - rotina esta que ao meu ver nem poderia praticá-la mais. Era um senhor, destes com quem a gente aprende sobre a vida em um aula especial de pouco menos de uma hora.

De repente o senhor começou a dizer lindas coisas. Talvez óbvias, mas às vezes só enxergamos algo quando alguém nos dizem... O sábio senhor começou a dizer sobre tempo e sorte. Disse-me que são para todos. Começara a dizer, então, sobre as lutas que a gente enfrenta durante a vida. Disse, com toda convicção, que a gente só não consegue as coisas que pretendemos por falta de luta. E, sem terminar por aí, o senhor disse que esta luta acontece também no amor. Disse-me que até no amor há luta e me garantiu que é preciso lutar para que ele não se vá. Indagando-o em meus pensamentos, perguntei por que não era o outro lado do amor quem ouvira suas palavras. 

O sábio senhor disse-me ainda que a felicidade também está para todos. Explicou, porém, que a felicidade só fica se a gente quiser e lembrou que tem gente que não quer, embora diga o contrário. Disse que nem a pessoa sabe que ela mesma afasta a felicidade. Assim ele contou que acontece também com o amor. Mas, sem se esquecer nem um minuto da beleza deste sentimento, ele disse que só o amor consegue nos deixar sorrindo, sem que nada nos aborreça. Disse que o amor é sublime, mas frisou que para tê-lo é necessário lutar.

Após mostrar-me sua sabedoria e chegarmos ao fim deste repentino encontro, o sábio senhor disse, sorrindo, sobre as pessoas que se fecham para o mundo e que não estão disponíveis nem para uma conversa. Agradeceu-me, mas mal sabe ele que eu quem o agradeceria para sempre. Desejou-me tudo de bom e muitas coisas lindas. Fiz o mesmo e me despedi, mais uma vez, destes breves encontros. 
E transitando de um lado para o outro neste caos urbano ainda consigo encontrar anjos ao invés de pessoas...

sábado, 1 de setembro de 2012

Zumbis da claridade


Desceram. E logo os percebi. De blusas sujas e esgaçadas, bermudas e chinelo, eles circulam pela cidade. Sempre à luz do dia eles descem para um árduo trabalho. Os zumbis da claridade não têm qualquer brilho nos olhos. Eles não se interessam pela vida, nem têm medo de perdê-la. Seus rostos não mostram qualquer medo da morte. Seus rostos são, na verdade, a morte em si. 

Com uma garrafa de água na mão, onde o líquido é inalado ao invés de ingerido, os zumbis circulam pela cidade. As mesmas mãos que seguram a garrafa, seguram cordões que estão em nossos pescoços. Sem vergonha da idade e dos olhos que os observam, eles atacam os transeuntes. Perplexos com a agilidade, os habitantes se surpreendem e discutem a capacidade humana.

Parece que os zumbis da claridade têm uma cota para entregar ao zumbi máximo e, assim, de repente eles somem das ruas agitadas. Eles se perdem em meio a movimentação urbana e são rápidos como a cidade por essa hora. Eles têm pressa, são rápidos, discretos e famintos por coisas que possam ser trocadas por outras. Por comidas que não são ingeridas, mas por outras que os alimentam sendo inaladas.

Os olhos sem brilhos dos zumbis da claridade não enxergam as estátuas da cidade maravilhosa. Os zumbis da claridade não vêem nada além da gente que tem alguma coisa para apressar seus trabalhos. Os zumbis do Rio de Janeiro se espalham pelas ruas movimentadas e pelas pessoas apressadas. Os zumbis da claridade somem em meio às pessoas, vítimas de um andar apressado e assustado.

Bianca Garcia

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O amor acabou? Será que existiu?

Eu te via nos pensamentos mais distantes
Agora não te vejo nem de perto
Me parece que não conheço nem um pouco
Você mudou completamente

A gente anda se perdendo na vida
O labirinto está se fechando contra a gente
Cá estamos distantes um do outro
Nos perdendo inteiramente

No começo tinha beijos,
flores, bilhetes e fotografias
Agora não tem nem a gente
Aqui estamos nós onde mal a gente se entende

Aqui estamos nós sem qualquer parte da gente
Aqui estamos nós sem qualquer compreensão
Aqui estamos nós sem olharmos um ao outro
Aqui estamos nós sem olharmos para a gente


Bianca Garcia

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Enquanto a cidade dormia…

Enquanto a cidade dormia, os ônibus que descansavam deixavam os passageiros pelos pontos esperando. E enquanto esperavam, viam todo o movimento da cidade enquanto ela dormia. Dormia a cidade, mas não dormia todos os seus habitantes.

Como em um vai e vem em câmera lenta, as pessoas iam passando. Enquanto a cidade dormia, passava um casal sorridente, três baderneiros gritando, um rapaz solitário e uma menina correndo. Na cidade que dormia, dormia também um mendigo com frio, um bebê gritando e uma mãe com cinco filhos, ali, pelas calçadas sonolentas de uma cidade que espalhava colchões, lixos e pedaços de papelão. Nessa mesma madrugada atravessava também um mal educado com medo da noite pelo meio da rua e um rapaz de bicicleta, saindo da garagem de um prédio de luxo, quase atropelando dois funcionários de um fast food famoso que sorriam. Enquanto a cidade dormia, quem não sente sono estava pela rua. Mas nessa rua estavam também lojas fechadas, pouco barulho e nenhum trânsito – parecia até que não tínhamos nenhum caos urbano! Nessa cidade que dormia, as luzes dos prédios estavam pouca acesas como se refletissem o baixo movimento das escuras ruas.

Nessa madrugada fria da cidade sonolenta foram excluídos os que não gostam de se aventurar pela solidão da noite de uma cidade atormentada de dia…. Enquanto a cidade dormia… A madrugada fria esquentava o coração dos que solitários estavam na vida.

Bianca Garcia

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Mente que mente

A gente mente.
Mente, sim, para acalmar o coração.
A gente mente.
Mas tem gente que mente para gente
e gente que só mente pra si.
Mente que mente mente para mentir.
Por mentir sem sentir,
mente que nem sente por mentir.
Mente, a gente mente sim.
A gente mente para gente,
mas tem gente que mente só para mente mentir.
Bianca Garcia

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Cariocas nascem bambas?

Enganaram-me dizendo que os cariocas eram bambas, dourados, modernos, diretos, atentos e craques. Nada! Em meio à esta produção sedutora carioca tem gente insegura e inquieta mostrando alguma felicidade. Tá, mas os cariocas até que têm sotaque neste cenário inspirador, palco de muita música e poesia, onde estão raras as rimas calorosas e os amores desmedidos.

Mas por onde estaria essa gente esperta e sexy? Bem, assim como acontece com os produtos de consumo que, como escravos, trocamos a todo instante, anda acontecendo com o amor. Trocamos nossas roupas dos armários, os carros, os aparelhos tecnológicos… Ora porque precisamos ora porque tornaram-se obsoletos diante a imensidão de ofertas e novidades. Assim, estão os relacionamentos. É como se ninguém mais fosse insubstituível, é como se qualquer pessoa pudesse suprir um sentimento, é como se não houvesse qualquer sentimento. E na mesma velocidade que se iniciam essas relações, elas se encerram… Andam por aí costurando relacionamentos.

Mais uma moda pegou e aqui pelo Rio de Janeiro alguém anda espalhando que as pessoas são descartáveis e, por isso, é proibido se apaixonar. Paixão é para os fracos, os fortes mesmo aprenderam a desamar… Coitada dessa gente, que desconhece os riscos que correm os apaixonados, nessa nova medrosa forma de amar!

E, então, os cariocas nascem bambas?

Bianca Garcia

terça-feira, 31 de julho de 2012

Olhávamos o céu

Com  meus olhares apreendidos pelas estrelas celetiais, tu me perguntava sobre elas. Sobre o céu e as estrelas tu me dizia. Me dizia sobre besteiras e qualquer outra coisa, que certamente eu nem prestara atenção. Não sei bem, mas parece que, no mundo, só tinha restado a gente. Brilhosas, as estrelas piscavam sem parar. Não precisava, talvez, de mais ninguém comigo e contigo. As estrelas preenchiam qualquer vazio.

Na imensidão daquele céu azul escuro, elas eram tão intensas que parecia não restar espaço nem para mais uma. Embaixo, naquela grama úmida da noite, estávamos nós com os joelhos mais próximos delas que nossos corpos. Lá estavam elas e logo abaixo estávamos nós. Nos vimos sorrindo. O céu estava lindo e quanto mais sorríamos, mais bonito ficava. Parece até que o céu reflete felicidade...

Prendendo nossos pensamentos, as estrelas brincavam de intensidade. O jogo funcionava como o nosso, quanto maior o brilho, maior o destaque. A gente brilha com amor, com o sorriso, a gente brilha com bondade. As estrelas que mais brilham, diziam meus pais quando eu nada entendia da vida, são as pessoas especiais que já estão no céu. E não seria isso amor, sorriso e bondade?

As estrelas olhavam o amor. Enquanto isso, tínhamos nossos corpos estendidos na grama, nossas cabeças apoiadas em nossos braços e o brilho do céu nos olhando. Não havia cidade. Não havia gente. Havíamos nós... Não existiam gritos, nem choro, nem saudade. Não tínhamos vozes... Ficamos ali, pairados, sob luzes que preenchem quaisquer vazio.

E o céu tem dessas coisas misteriosas, assim, lindas, que dão medo.

Bianca Garcia

quarta-feira, 25 de julho de 2012

O sol, a mulher, o tiro


O sol, que há pouco fugira, apareceu nesse dia de inverno. E cá estava eu, em mais uma espera por transportes coletivos na cidade...

Enquanto eu me preocupara com os papéis em cima da mesa, os e-mails, as entrevistas e meus horários, a mulher que estava ao meu lado, também com a testa franzida, se preocupava com seu bairro, sua casa e o horário. Éramos duas estranhas inquietas com a demora do ônibus, que por sinal era o mesmo que iríamos pegar. Cá trazia a vida mais desconhecidos para minhas histórias...

O relógio, que batia catorze horas quando nos encontramos, ganhara muito rapidamente trinta minutos. 

Enquanto eu me apressara para olhar a hora e olhar o horizonte em busca do ônibus, a mulher se mexia de um lado para o outro. Nada muito exagerado, nada que qualquer pressa deixasse percebê-la. Mas nossas inquietações nos aproximaram quando ela disse que o ônibus não chegava. E com as circunstâncias, eu não pude discordar. Os minutos se passavam, mas nunca nossas inquietações...

Com mais alguns passos de um lado para o outro, ela voltou a dizer sobre a demora do ônibus. E com toda a pressa que eu estava, continuei o assunto sobre esses atrasos, sobre a quantidade dos carros, enfim, sobre essas coisas que as pessoas conversam em filas - mas não estávamos em uma. Era uma conversa fora de moda, que todo mundo odeia, mas sempre troca algumas palavras sobre.

Apreensiva ela contou o motivo de toda sua pressa: 

- Preciso ir para casa, meu marido já me ligou e disse que o tiroteio começou cedo.

Calei imediatamente meus pensamentos pequeno-burgueses... E perguntei:

- Não é perigoso ir agora, então? 
Obviamente ela respondeu que sim.
- É perigoso mas acabou de começar. Meu marido ligou e disse para que eu saísse do trabalho no mesmo instante.
Continuou ela:
- Se eu não for agora, eles podem fechar a rua e eu não consigo entrar em casa.

Nos calamos até que eu voltasse a perguntar.

- É todo dia assim?
- Toda semana. Mas ontem à noite também teve. 
Continuou ela:
- Mas eu não moro na favela. Se eu morasse já tinha saído de lá.
- É perto?
- Mais ou menos. Tem uma favela de um lado e outra de outro e eu moro perto das duas. Mas não moro nelas.
- Eles fecham, então, a principal rua que dá na sua casa, né?
- E aí eu não consigo entrar... Mas se eu morasse na favela, eu já tinha saído de lá...

Lembrando sempre que ela não mora em "comunidade", ela disse ainda sobre o incômodo dos barulhos: tiros, helicópteros, gritos, tiros, gritos, helicópteros...

- Quando tem helicóptero, passa em cima de casa e eu não consigo ficar sossegada. É um barulho muito alto, que fica um tempão...
- Mas mesmo com você que não mora na favela, eles mexem?
- Não, ninguém mexe com ninguém. Mas quando tem essas coisas, eles fecham o comércio.
- Então você nunca nem viu?
- Não, eu nunca vi. Mas uma vez meu marido estava de um lado e os bandidos do outro atirando. Meu marido viu tudo e um dos tiros chegou a atravessar a janela de um ônibus que passava na rua.
Continuou ela:
- Quando tem confusão sobra para qualquer um...
- Se eu morasse na favela... Mas até que essa é pacificada...

Chegou o ônibus... E não tinha lugar para sentarmos juntas. Despedi-me, então, silenciosamente e desejei "boa sorte" à essa mulher - mais uma de outra realidade, pra gente, distante.

Bianca Garcia

domingo, 22 de julho de 2012

Pobreza, tristeza, beleza


A pobreza no Rio de Janeiro se disfarça em cada esquina movimentada. Nela, disfarçam-se as bocas de fumo, os moradores de rua, as favelas com tráfico, os prédios em pedaços, as calçadas quebradas, o trânsito parado, a sujeira da cidade. Se disfarça ali, em cada pedaço, a tristeza em meio a riqueza que vende a tal da publicidade. 

A tristeza se disfarça entre os gritos, as festas, as altas gargalhadas. Se disfarça nos grandes carros estacionados e nos velhos casais que só o são fora de casa. A tristeza se disfarça com o passado. Se dirfarça nos presentes e nas fotografias. Se disfarça ali, em cada sorriso distante da casa.

A beleza do Rio de Janeiro se concentra em cenários estatizados. Tem o samba, o carioca, o Leblon, o calçadão, o Cristo, o Arpoador... Tem o Pão de Açúcar! A Lapa! O chop de sexta! A beleza da cidade se disfarça ali, em cada estátua divulgada. A beleza do Rio de Janeiro está em cada esteriótipo da cidade.

Bianca Garcia

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Sorteios

Deu a louca no blog!

Mais uma novidade: para ampliar a chance dos participantes, serão sorteados dois livros, 
 A Distância Entre Nós e A Cidade do Sol, escolhidos pelos leitores na fanpage.*


A Cidade do Sol (Editora Nova Fronteira) e A Distância Entre Nós (Editora Agir, selo da Nova Fronteira)

Quem pode participar? Qualquer pessoa, de qualquer estado.
Como participo do sorteio? Comentando neste post (nome, sobrenome e e-mail).
Como vai ser entregue o livro? Ou pessoalmente, ou correio.
Até quando posso comentar? Até domingo, 22 de julho*, dia do sorteio.
Onde vai sair o resultado? Na fanpage.

Não deixe de curtir a página do blog no Facebook. Lá você fica sabendo dos sorteios, pode escolher os livros a serem sorteados, lê algumas novidades e pensamentos expostos no blog e muitas outras coisas. Vai lá! 

Gostaram? 
Então não esqueçam de comentar, deixando nome e sobrenome e e-mail.

Observações: 
- Serão sorteadas duas pessoas diferentes.*
- A brincadeira é feita por um programa automático que faz o sorteio pelo número de comentários.

Boa sorte à todos!
Bjs,
Bianca Garcia


* Editada em 19/07/12

terça-feira, 10 de julho de 2012

Meia vidinha

Pelos corredores de um alto prédio em Copacabana, ecoam-se os gritos de uma senhora do vigésimo andar. Lá do alto, de uma abafado apartamento, a senhora briga com o marido, com a filha e com ela mesma. Os gritos, porém, ultrapassam as paredes e os andares; os gritos chegam também em onda gigantescas para seus vizinhos menos inquietos. Este apartamento escuro e muito pequeno, que não tem qualquer mínimo luxo ou glamour da cidade maravilhosa, esconde essas três pessoas: uma senhora rabugenta, um senhor cujo rosto nunca vi e a filha de meia idade e meia impertinência.

A senhora, baixinha de cabelo meio pintado, meio grisalho, traz consigo um mau humor para a vida. O rosto é fechado para família, que bem desconheço e, infelizmente, não é diferente para seus vizinhos, para os doces porteiros do prédio e para qualquer desconhecido. Parece que a infelicidade invadiu àquele apartamento e a senhora junto a filha, que encontro vez ou outra, não esconde de ninguém. Dentro deste apartamento há vidas despedaçadas, amargas e duras, e que não fazem nenhuma questão da doçura.

Os gritos amargos desta senhora e a meia falta de doçura da sua filha contamina a vida de qualquer um que por acaso esbarre com elas. São tristes, não respondem, não sorriem e gritam. Não escondem a ignorância, a brutalidade e a tristeza que penetrou um dia àquele pequeno quarto-sala, desses que preenchem muitos corredores da zona sul carioca por um preço muito alto pelo mínimo quadrado, e nunca mais saiu. O senhor, de quem pouco falei, é pequeno demais na história - não por minha vontade, mas porque parece pequeno demais para elas.

Dessa meia doçura, meia impertinência, meia felicidade se contentam muitas pessoas que disfarçam a tristeza fora de casa. Os risos dessa gente triste nasce ao atravessar a calçada, mas se esconde logo que a vê noutra esquina. Não é o caso dessa família, que já não pretende aparentar felicidade nem para seus vizinhos do mesmo andar.

Bianca Garcia

domingo, 1 de julho de 2012

Sorteio: Quando Nietzche Chorou



Os dois primeiros sorteios foram um sucesso e chegamos ao terceiro. Dessa vez vai ser diferente. Vamos tentar? Ao invés do sorteio acontecer pelos comentários do blog, o sorteio vai acontecer pelos comentários da fanpage
Para ganhar o  livro "Quando Nietzche Chorou", basta comentar na publicação do sorteio lá na página do FacebookNo comentário deve constar, obrigatoriamente, o e-mail.


Quem pode participar? Qualquer pessoa que curtiu a página.
Como vai ser entregue o livro? Ou pessoalmente, ou correio.
Até quando posso comentar? Até três dias depois da publicação.
Onde vai sair o resultado? Por um comentário aqui e pela fanpage.


Além deste sorteio, a página tem atualizações constantes do blog. São informações, postagens, pensamentos e novidades ;)

Gostaram? Então não esqueçam de curtir a fan e comentar na publicação do sorteio.


Observações:
- Os comentários neste post não serão validados.

- A brincadeira é feita por um programa automático que faz o sorteio pelo número de comentários.

Boa sorte à todos!

Grande beijo, 
Bianca Garcia

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Mãe

ela briga, 
irrita, 
conversa, 
disfarça, 
brinca, 
grita, 
abraça, 
sorri, 
beija 
e chora.

ela ama, 
compreende, 
não entende,
sofre, 
se preocupa, 
se arrepende,
insiste, 
obriga, 
liga,
e boia.

ela alerta,
sente,
impede,
pede,
erra,
ri,
canta,
encanta,
estressa,
é joia.

ela se orgulha,
conta,
baba,
aumenta,
espera,
pergunta,
não responde
se confunde,
inverte,
é fera.

ela é dura,
é ágil,
é doce,
é frágil,
é linda,
é mãe,
é boa,
é tudo,
é mais,
é bela.

Mães são de outro mundo.
Bianca Garcia

domingo, 24 de junho de 2012

Um lindo senhor


Àqueles olhos lacrimejantes afiguravam bastante cansaço. Era dia, e seus olhos demonstravam-me dor. Amei àquele senhor no mesmo instante que o vi. Sua aparência sofrida tomou conta de mim.

Calado, o senhor apareceu. Simples, de calça branca e blusa cor de abóbora, o senhor quase não olhara para frente como num gesto de não ter tanta força para os caminhos seguintes. Seus olhos falavam de luta; de uma luta diária para a vida.

Levando as mãos à cabeça, o senhor apalpava o esparadrapo que tampava a ausência da sua orelha. Sua dor me chamara atenção. E mais do que nunca seus olhos falavam sobre lutas. Mas parece que falavam só pra mim.

Àqueles cabelos grisalhos e as marcas no rosto são sinais de uma vida. Em meio à guerra dos homens, setenta e cinco anos é um resultado glorioso. E, no final, a gente sempre sai sem uma parte, quando, na verdade, não nos perdemos completamente. Este senhor, como tantos outros, estava mutilado.

Bianca Garcia

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Sorteio: Orgulho e Preconceito

"- Mas eu lhe asseguro - acrescentou ela -, que Lizzy não perde muito por não corresponder às preferências deste homem, pois ele é desagradável, horrível; pouco adianta cativá-lo. Tão orgulhoso e tão convencido que é impossível aturá-lo. Andava de um lado para o outro, pensando na sua própria importância. Não é suficientemente simpático para que se tenha prazer em dançar com ele..." 
Orgulho e Preconceito, Jane Austen

O blog, agora, presenteia seus leitores com livros. Para ganhar, basta participar de um simples sorteio. Para concorrer ao primeiro livro, um romance de Jane Austen escolhido pelos leitores na fanpage, basta comentar neste post deixando nome, sobrenome e e-mail.

Quem pode participar?
Qualquer pessoa, de qualquer estado.
Como vai ser entregue o livro? Ou pessoalmente, ou correio.
Até quando posso comentar? Até 29 de junho, dia do sorteio.
Onde vai sair o resultado? Por um comentário aqui e pela fanpage.

Para saber de tudo antecipadamente, basta curtir a página do blog no Facebook e ficar por dentro de todas as novidades. Lá vocês vão receber as novas postagens, alguns pensamentos  e sorteios. Para acessar, clique aqui.

Gostaram? 
Então não esqueçam de comentar, deixando nome e sobrenome e e-mail.

Observação: A brincadeira é feita por um programa automático que faz o sorteio pelo número de comentários.

Boa sorte à todos!

Grande beijo, 
Bianca Garcia

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Rotina

Acordei.
E quando acordei já tinham se passado muitos dias.
Ao me levantar da cama, outros novos dias.
A cada passo, novos dias.
Sem qualquer lentidão, novos dias.
Com as maiores velocidades, novos dias.

Muitos dias já se passaram.
Enquanto eu pensava, outros novos dias.
A cada minuto, novos dias.
Qualquer palavra, novos dias.
Todo passo, novos dias.
Sem qualquer pergunta, novos dias.

Os dias acabaram, sem qualquer dia.
Sem novos dias, estão os dias.
Sem diversão, novos dias.
No shopping, três mil dias.
Aos amigos, nenhum dia.
Sem sonhos de novos dias.

As vidas acabaram sem novos dias.
Fui dormir sem novos dias.
Acordei, sem novos dias.
Me levantei em qualquer dia.
Dormi...
E quando acordei, não tinha outro dia.

Bianca Garcia

quinta-feira, 31 de maio de 2012

A cidade

O barulho do centro da cidade atordoa o visitante
Sou visitante neste mundo que não vive sem barulho
Visitante sou eu neste mundo que vive de buzina
O grito da buzina atordoa minha vida

As luzes infinitas incomodam minha vista
Sou visitante neste mundo que não vive desligado
Visitante sou eu neste mundo da tomada
A luz falante atordoa minha vida

O calor da cidade pressiona o visitante
Sou visitante neste mundo que vive sem o verde
Visitante sou eu neste mundo do asfalto
O calor do asfalto atordoa minha vida

A poeira infinita inunda minha casa
Sou visitante neste mundo que vive de sujeira
Visitante sou eu neste mundo da lixeira
A terra da sujeira atordoa minha vida

O som da cidade enlouquece o visitante
Sou visitante neste mundo que não vive do silêncio
Visitante sou eu neste grito do mundo 
Onde o barulho da cidade atrapalha minha vida



Bianca Garcia

terça-feira, 22 de maio de 2012

Monólogo


Seus medos são, para você, a coragem em enfrentar o mundo. Encarar sozinho o peso desse mundo gelado... Enfrentar o escuro do mundo e a maldade das pessoas... Ora, esse medo aparenta coragem. Pura coragem de um grande medo.

Futura infelicidade...

Conheci finalmente quem tivesse medo de ser feliz, quem tivesse medo de quem traz o seu sorriso. Ora, você acredita que o destino te quer só? Você tem medo da paz, da confiança que te passa a outra pessoa. Ora, você tem medo de confiar!

A solidão te assombra. Mas você se aproxima dela com seus medos, que você os chama de coragem. Você se viu frente à beleza, ao amor e à confiança, mas fugiu. Fugiu com medo do amor.

Entendi agora suas críticas à tudo. Sua intolerância ao mundo. Sua insatisfação com a vida. Ora, você acredita ser seu destino ficar sozinho.

Bianca Garcia

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Ah, Nietzsche!


Todos os homens se dividem em escravos e livres; pois aquele que não tem dois terços do dia pra si é escravo, não importa o que seja: estadista, comerciante, funcionário ou erudito.” Nietzsche


Ah, Nietzsche!
Aqui, no século XXI, as pessoas falam gritando
andam correndo, mentem brincando...
Aqui, as pessoas trabalham mais que vivem,
se deslocam mais que trabalham e pensam menos que tudo...
Aqui, as pessoas vivem para o dinheiro, 
pelas maiores quantias sem nem se preocupar com tempo.

Ah, Nietzsche!
Aqui, as pessoas trabalham de frente para o mar mas nem o enxerga
Elas falam sobre abraços e beijos, mas não os sentem
E falam sobre sentimentos que nem existem...
Aqui, as pessoas não se vêem,
pouco se tocam e nunca se lêem.

Ah, Nietzsche!
Aqui, no século XXI, as coisas não estão nada melhores...
Aqui, ninguém é livre...
Só vemos escravos...
Do trabalho, do dinheiro e do tempo!


Bianca Garcia